Portal da cidade São Carlos

PAPO DE ESPECIALISTA

Perdi um dente: quanto tempo posso esperar para colocar um implante?

Dr. Felipe Passador explica o que acontece na região após a perda de um dente e por que uma avaliação precoce pode facilitar o planejamento do tratamento

Publicado em 20/09/2026 às 22:48
Atualizado em

Dr. Felipe Passador explica o que acontece na região após a perda de um dente e por que uma avaliação precoce pode facilitar o planejamento do tratamento (Foto: EAM)

Perder um dente e deixar para pensar na reposição mais tarde é uma situação bastante comum. Principalmente quando o espaço não aparece ao sorrir, muitas pessoas acabam adiando o tratamento por meses ou até anos.

Mas surge uma dúvida frequente: existe um tempo máximo para colocar um implante dentário depois que o dente foi perdido?

Segundo o cirurgião-dentista Dr. Felipe Passador, que atua com foco em Implantodontia e Cirurgia Oral, não existe um prazo único que sirva para todos os pacientes. Entretanto, uma avaliação realizada mais cedo pode ampliar as possibilidades de planejamento.

“Mesmo que o paciente não queira colocar o implante naquele momento, vale a pena avaliar a região. Depois que o dente é perdido, o osso que antes o sustentava pode sofrer alterações com o passar do tempo”, explica.

O que acontece depois que perdemos um dente?

Após uma extração, o organismo inicia naturalmente o processo de cicatrização da região.

Com o passar do tempo, porém, podem ocorrer alterações na altura e principalmente na espessura do osso onde aquele dente estava.

A intensidade dessas mudanças varia de paciente para paciente.

“Algumas pessoas mantêm uma quantidade óssea bastante favorável mesmo depois de anos. Em outras, encontramos uma redução maior do volume ósseo. Por isso, não conseguimos determinar a situação apenas pelo tempo que o paciente está sem o dente”, afirma Dr. Felipe.

Além do osso, os dentes vizinhos e o dente da arcada oposta também podem sofrer movimentações ao longo dos anos, modificando o espaço disponível para a futura prótese.

É melhor colocar o implante logo após a extração?

Nem sempre.

Em determinadas situações, é possível remover o dente e instalar o implante durante o mesmo procedimento. É o chamado implante imediato.

Para que isso seja realizado, entretanto, é necessário avaliar diversos fatores, como a quantidade de osso disponível, a condição da região, a posição do dente a ser removido e a possibilidade de conseguir uma boa estabilidade para o implante.

“Implante imediato não significa que todas as extrações podem ser acompanhadas da colocação de um implante. A indicação depende das condições encontradas e do planejamento de cada caso”, ressalta o especialista.

Em outras situações, pode ser mais indicado realizar a extração, permitir a cicatrização da região e instalar o implante posteriormente.

Perdi o dente há muitos anos. Ainda posso colocar implante?

Na maioria das vezes, ter perdido um dente há muito tempo não significa que o paciente esteja impossibilitado de realizar um implante.

O primeiro passo é descobrir quais são as condições atuais daquela região.

Além do exame clínico, exames de imagem permitem avaliar a quantidade de osso disponível. Em determinadas situações, a tomografia computadorizada auxilia no planejamento por mostrar a região de maneira tridimensional.

Quando existe osso suficiente, o implante pode ser planejado diretamente.

Quando a perda óssea é maior, podem ser necessárias técnicas adicionais para possibilitar a instalação do implante em uma posição adequada.

Quem perdeu osso sempre precisa fazer enxerto?

Não.

A necessidade de enxerto ósseo também depende de cada caso.

“Não é simplesmente olhar para a região e dizer que, porque o dente foi perdido há muitos anos, obrigatoriamente será necessário um enxerto. Precisamos avaliar quanto osso existe e qual é a posição ideal para aquele implante”, explica Dr. Felipe.

Atualmente existem diferentes técnicas e possibilidades de tratamento. Por isso, o diagnóstico individualizado é fundamental antes de definir a necessidade ou não de procedimentos complementares.

Esperar demais pode dificultar o tratamento?

Em algumas situações, sim.

Quanto maior o tempo sem o dente, maior a possibilidade de existirem alterações ósseas ou movimentações dos dentes próximos.

Isso não significa que o tratamento não poderá mais ser realizado, mas eventualmente pode torná-lo mais complexo.

Por esse motivo, mesmo quando o paciente pretende realizar o implante somente no futuro, conhecer previamente as condições daquela região pode ser importante.

Então, qual é o melhor momento?

Não existe uma resposta igual para todos.

Para Dr. Felipe, o mais importante é separar duas decisões: o momento de fazer a avaliação e o momento de realizar o implante.

“A avaliação pode ser feita logo após a perda do dente, mesmo que o paciente ainda não esteja preparado para iniciar o tratamento. Dessa forma conseguimos entender a situação do osso, acompanhar possíveis alterações e orientar quais são as possibilidades para o futuro.”

O diagnóstico e o planejamento permitem definir se o implante pode ser realizado imediatamente, após a cicatrização ou até mesmo anos depois da perda dentária.

Quanto antes conhecemos as condições da região, mais informações temos para escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.

Dr. Felipe Passador

Cirurgião-Dentista

Atuação em Implantodontia e Cirurgia Oral

Fonte: Portal da cidade São Carlos

Envie sua notícia