CONHECIMENTO
Letícia Garcia Beghini, graduanda da UFSCar, é premiada com o SBBq Award
Trabalho avaliou a microbiota intestinal de larvas do besouro Zophobas morio provenientes de diferentes regiões do Brasil
Publicado em 02/06/2026 às 09:00
A estudante de Bacharelado em Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do Campus São Carlos, Letícia Garcia Beghini, recebeu o SBBq Award, prêmio outorgado aos melhores posters da 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular, realizada entre os dias 16 a 19, em Águas de Lindóia, SP.
A pesquisa foi motivada pelo acúmulo de resíduos plásticos no ambiente, especialmente do poliestireno (PS), um polímero sintético altamente resistente à degradação. Essa característica, associada ao elevado consumo e ao descarte inadequado, favorece seu acúmulo em ecossistemas naturais, gerando impactos ecológicos, sociais e à saúde pública. "A forma expandida desse polímero, conhecida como Poliestireno Expandido (EPS) ou popularmente conhecido como isopor, é um material extremamente leve, cujos resíduos se dispersam facilmente no ambiente. Além disso, sua reciclagem apresenta desafios logísticos, econômicos e, também, ambientais", explicou a aluna.
Dessa forma, a biodegradação surge como uma alternativa promissora para o tratamento desses resíduos. "Nós já sabemos que larvas do inseto Zophobas morio (Coleoptera, Tenebrionidae) conseguem consumir esse plástico, mas ainda não entendemos completamente quais microrganismos do intestino delas participam desse processo", acrescentou. A pesquisa busca justamente identificar esses microrganismos (microbiota intestinal de larvas de Z. morio), conhecimento que contribui para o desenvolvimento futuro de estratégias mais sustentáveis para o manejo e a biodegradação de resíduos plásticos.
Para investigar os microrganismos associados à degradação do poliestireno, foram utilizadas larvas de Zophobas morio provenientes de diferentes regiões do Brasil e submetidas a dietas contendo poliestireno e dieta convencional (farelo de trigo). Paralelamente, o conteúdo intestinal das larvas foi utilizado para a realização de cultivos de enriquecimento em meio de cultura LCFBM (Liquid Carbon Free Basal Medium), um meio de cultura sem carbono, tendo o poliestireno como única fonte de carbono para o crescimento microbiano. Essa estratégia permitiu selecionar microrganismos potencialmente capazes de degradar o poliestireno.
Posteriormente, o DNA foi extraído tanto da microbiota intestinal das larvas quanto das comunidades microbianas obtidas nos cultivos de enriquecimento. As amostras foram analisadas por sequenciamento de nova geração (NGS), utilizando marcadores moleculares específicos para bactérias e fungos. Por meio de análises de bioinformática, foi possível caracterizar a composição dessas comunidades microbianas (bactérias e fungos), comparar os efeitos das diferentes dietas e identificar microrganismos potencialmente relacionados à degradação do poliestireno.
A aluna é bolsista de Iniciação Científica da Fapesp, orientada pelo professor Flavio Henrique da Silva, do Departamento de Genética e Evolução (DGE) e coorientada pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Genética Evolutiva e Biologia Molecular (PPGGEv), Yan Matuhara, ambos da UFSCar.
Fonte: Comunicação/UFSCar
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