NÃO À PRIVATIZAÇÃO
Pressão popular e apoio religioso marcam protestos contra a privatização do SAAE
Após desistência de Araraquara, redes sociais e Pastoral da Ecologia Integral pedem que São Carlos mantenha o controle público do serviço de água
Publicado em 15/07/2026 às 21:56
Movimento contra a privatização do SAAE ganha força nas redes sociais e apoio de grupos católicos (Foto: EAM)
A decisão da Prefeitura de Araraquara de não aderir ao programa estadual "Universaliza SP" gerou forte repercussão em São Carlos. Inspirados pelo exemplo da cidade vizinha, autoridades, movimentos sociais e cidadãos têm utilizado as redes sociais para pressionar a administração municipal a abandonar o projeto e garantir a manutenção do controle público sobre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).
A mobilização está ganhando as ruas: servidores públicos organizam, para o próximo sábado, uma manifestação com panfletagem nas imediações do Mercado Municipal.
Pastoral da Ecologia Integral se posiciona
A discussão ganhou um novo componente com a divulgação de uma carta da Pastoral da Ecologia Integral, ligada à Diocese de São Carlos. O documento, endereçado ao prefeito Netto Donato em 3 de julho, manifesta o posicionamento contrário da entidade à concessão dos serviços à iniciativa privada, baseando-se em princípios da Doutrina Social da Igreja e na encíclica Laudato Si'.
A Pastoral apresentou argumentos fundamentais em defesa da autarquia:
Eficiência e Autonomia: O SAAE é reconhecido por décadas de qualidade e altos índices de universalização, sendo um patrimônio do município que corre riscos em uma concessão.
Água como Direito, não Mercadoria: A gestão não deve ser submetida à lógica de mercado, pois a água é um recurso estratégico para a dignidade humana e proteção ambiental.
Riscos Sociais e Econômicos: A entidade alerta para o "princípio da prudência", pontuando que privatizações exigem cautela devido a incertezas sobre impactos tarifários, universalização e transparência.
Valorização Técnica: A concessão ameaçaria o conhecimento técnico acumulado pelo corpo de funcionários do SAAE ao longo dos anos.
Proposta de Fortalecimento
Em vez da privatização, a Pastoral propõe a criação de um conselho paritário para o SAAE. O objetivo desse mecanismo é ampliar a fiscalização cidadã, garantindo a transparência e assegurando que a sociedade civil e o Poder Público participem diretamente das decisões estratégicas do saneamento. "Acreditamos que a manutenção do caráter público do SAAE, aliada a uma maior fiscalização cidadã, é o caminho seguro para garantir que a água em São Carlos continue a servir ao bem comum e não ao lucro privado", destaca o ofício da Pastoral.
A administração municipal ainda não se manifestou sobre a possível saída do programa estadual, mas a crescente pressão popular indica que o futuro do saneamento básico em São Carlos será um dos temas centrais do debate público nos próximos dias.
Fonte: Portal da cidade São Carlos
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