USP
Programa pioneiro de residência em Arquitetura e Urbanismo começa em São Carlos
Especialização do IAU vai formar 30 residentes de 11 estados para atuar na regularização fundiária de áreas da antiga rede ferroviária
Publicado em 02/09/2026 às 11:31
Uma cerimônia realizada na noite desta segunda-feira, dia 31 de agosto, marcou a abertura do Programa de Residência em Arquitetura e Urbanismo, uma iniciativa pioneira do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) de São Carlos.
O programa é uma especialização lato sensu, com 1.222 horas de carga horária, distribuídas entre atividades práticas e teóricas, com ênfase em Gestão Territorial e de Processos Urbanos. Entre os temas que serão abordados no rol de disciplinas estão Métodos e Técnicas de Levantamento de Dados, Georreferenciamento e Cadastro Social, Direito Urbanístico, Legislação Cartorial e Patrimonial em Áreas da União, Legislação Ambiental, Agentes da Produção do Espaço Urbano, Infraestrutura e Clima, e Arquitetura da Paisagem e Processos Urbanos. As aulas serão conduzidas por um grupo de 11 docentes, sendo nove do IAU, uma da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) e o outro da Universidade Federal do ABC (UFABC), além de sete tutores que atuarão no acompanhamento das atividades.
Os 30 residentes selecionados para o programa, dentre os mais de 500 inscritos, são provenientes de 11 estados brasileiros de todas as regiões do País. As atividades serão desenvolvidas nas instalações do instituto e terão início no dia 15 de setembro.
“Na área médica, na qual atuo, os programas de residência são consolidados como espaços privilegiados de treinamento prático, aperfeiçoamento profissional, desenvolvimento de habilidades e competências necessárias. Além de seu aspecto inovador e desafiador, este Programa de Residência em Arquitetura e Urbanismo traduz o que reconhecemos como essência da missão da USP: o compromisso com a formação profissional de excelência, antenada com as demandas da sociedade e a serviço do cumprimento da função pública”, afirmou o reitor Aluisio Segurado.
Durante a especialização, os pesquisadores atuarão em processos de regularização fundiária de áreas remanescentes da antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), no interior do Estado de São Paulo. A proposta é formar especialistas com habilidades para atender às demandas envolvendo recursos geomáticos e de levantamentos socioespaciais georreferenciados, conhecimento de legislação urbanística e fundiária, contribuindo para a ampliação de uma política pública com impacto social e interesse público.
“Os processos que envolvem a regularização fundiária são um campo de atividade especializada com uma carência enorme de profissionais. Neste programa de residência, trabalharemos com as áreas disponíveis que constituem um passivo da rede ferroviária federal. Também é uma oportunidade para pensarmos como a extensão é desenvolvida em nosso instituto, sob uma perspectiva de formulação de políticas públicas”, afirmou o diretor do IAU, João Marcos de Almeida Lopes.
Regularização fundiária
O Programa de Residência em Arquitetura e Urbanismo é uma iniciativa do IAU, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP) e com a Superintendência do Patrimônio da União de São Paulo (SPU-SP).
“A formação e o desenvolvimento profissional precisam estar cada vez mais conectados aos problemas reais da sociedade e do nosso território. Talvez seja justamente isso que torne essa residência tão potente: ela aproxima Universidade, o Conselho Regional e poder público em torno de desafios concretos, aproxima conhecimento e prática, a formação e o exercício profissional, reflexão e transformação”, explicou a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, Camila Moreno de Camargo.
Os residentes trabalharão sobre situações relacionadas à gestão territorial e à adequação fundiária, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados e aptos a contribuir para a produção de melhores políticas públicas. De acordo com Camila, “ao atuar em cidades do interior, o conhecimento e a capacidade técnica circularão pelo território e, ao mesmo tempo, trará para dentro da Universidade, do Conselho e para a formação profissional, os problemas, as experiências e os conhecimentos produzidos nesses municípios”.
O superintendente do Patrimônio da União em São Paulo, Celso Santos Carvalho, ressaltou que “esse patrimônio imobiliário é altamente estratégico porque está localizado nos centros de importantes cidades que eram cortadas pela rede ferroviária. Do ponto de vista do desenvolvimento urbano, esse patrimônio que hoje está abandonado, invadido ou ocupado poderá servir ao desenvolvimento econômico e social do Estado, por isso esse projeto é fundamental. A presença de residentes de outros Estados garante que o que vocês desenvolverem aqui poderá ser levado para todo o Brasil”.
Fonte: Erika Yamamoto/Jornal da USP
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