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Pesquisa da EESC-USP destaca papel das bicicletas elétricas na mobilidade urbana

Estudo de doutorado aponta que e-bikes ampliam acesso a empregos, reduzem esforço físico e potencializam a integração com o transporte público

Publicado em 30/08/2026 às 16:17

O estudo também avalia o impacto das bicicletas elétricas como solução para o desafio do "último quilômetro", conectando moradores de bairros distantes a redes de alta capacidade, como trens e metrôs (Foto: EESC-USP)

As bicicletas elétricas possuem um potencial significativo para facilitar o deslocamento de trabalhadores que residem em áreas distantes ou buscam oportunidades profissionais em regiões periféricas. A constatação faz parte da tese de doutorado de Thiago Vinicius Louro, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da EESC-USP (Escola de Engenharia de São Carlos), em regime de duplo diploma com a Universidade de Twente, nos Países Baixos.

Intitulado “Analisando os impactos das bicicletas elétricas na acessibilidade ao emprego e na equidade espacial”, o estudo detalha como as e-bikes superam barreiras físicas associadas a trajetos longos e limitações de esforço.

“A pesquisa mostra que as bicicletas elétricas podem ampliar de forma significativa o número de empregos alcançáveis por bicicleta, especialmente em cidades com grandes distâncias, relevo acidentado e infraestrutura de transporte desigual”, destaca o pesquisador.

Ganhos de eficiência e metodologia robusta

A melhora na acessibilidade urbana decorre da maior velocidade proporcionada pelos motores elétricos e da redução drástica do esforço físico exigido do ciclista. Os dados do estudo mostram que:

O ganho de eficiência no tempo de viagem varia de 20% a 38%.

A vantagem é ainda mais expressiva nos modelos baseados em esforço físico, registrando saltos de 265% a 532%.

A tese sintetiza quatro estudos independentes integrados em um projeto unificado. A base metodológica englobou a revisão sistemática de 71 artigos científicos, dados de GPS de milhares de viagens do sistema de bicicletas compartilhadas Tembici, mapeamento topográfico e de infraestrutura cicloviária, além de estatísticas socioeconômicas e de transporte de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.

Integração com o transporte público e novos horizontes

Entre os desdobramentos práticos apontados pelo autor está a oportunidade de planejar redes cicloviárias voltadas a áreas com maior inclinação — trechos antes inviáveis para bicicletas convencionais, mas plenamente acessíveis às e-bikes.

O estudo também avalia o impacto das bicicletas elétricas como solução para o desafio do "último quilômetro", conectando moradores de bairros distantes a redes de alta capacidade, como trens e metrôs.

“As e-bikes podem ter papel muito importante em sistemas de trilho, aumentando a área de alcance das estações. O ideal é que os sistemas de transporte público sejam pensados em conjunto com o sistema de bicicletas compartilhadas, sem que haja competição entre os dois, mas complementaridade”, pontua Louro.

O pesquisador conclui que o trabalho abre portas para novas investigações científicas, sugerindo a incorporação de custos monetários nas análises de acessibilidade, a expansão dos estudos para outras cidades brasileiras com perfis geográficos distintos e o desenvolvimento de comparações internacionais.

Fonte: Assessoria de Comunicação