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EMBRAPA E UFSCAR

Cientistas da Embrapa e da UFSCar criam sensor que detecta vitamina C em 1 minuto

Dispositivo portátil de nanotecnologia mimetiza enzimas e muda de cor para indicar a quantidade do nutriente em alimentos

Publicado em 23/06/2026 às 20:24

O pesquisador da Embrapa Instrumentação, Daniel Souza Correa (foto acima), que coordenou o estudo junto com o professor Yury Gogotsi (Foto: Divulgação)

Uma parceria científica internacional entre o Brasil e os Estados Unidos resultou no desenvolvimento de um sensor nanotecnológico capaz de detectar, em menos de um minuto, a presença e a concentração de vitamina C (ácido ascórbico) em alimentos. O estudo de vanguarda foi liderado pela Embrapa Instrumentação, sediada em São Carlos, em conjunto com o Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A pesquisa contou também com a colaboração do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Instituto de Nanomateriais AJ Drexel, da Filadélfia (EUA). O grande diferencial do novo dispositivo é dispensar o uso de equipamentos laboratoriais pesados, caros e complexos — como cromatógrafos e eletroforese —, além de não exigir mão de obra ultraespecializada para testes rápidos na indústria de alimentos.

Como funciona a tecnologia que muda de cor

O sistema é baseado em uma "nanoenzima", uma estrutura nanométrica artificial que imita com perfeição a ação de enzimas naturais. Os pesquisadores criaram uma combinação inédita de materiais: utilizaram nanofibras ultrafinas de óxidos de zinco e de cobalto (produzidas por uma técnica de alta voltagem chamada eletrofiação) e as uniram aos chamados MXenes — uma categoria recente de materiais bidimensionais compostos por pouquíssimas camadas de átomos.

Essa união gerou um sensor colorimétrico líquido. O funcionamento visual é simples:

Em seu estado natural, o líquido reagente (composto químico TMB) é totalmente incolor.

Ao receber o nanocompósito desenvolvido pelos cientistas, o líquido ganha uma coloração azul intensa.

Quando o alimento com vitamina C entra em contato com a mistura, a cor azul perde intensidade ou desaparece por completo. Quanto mais clara a solução ficar, maior é a concentração de vitamina C ali presente.

Próximos passos e portabilidade

A expectativa dos cientistas de São Carlos e das instituições parceiras é avançar para as etapas de miniaturização do sistema. O objetivo final é colocar no mercado dispositivos portáteis, de fácil uso e de baixíssimo custo, permitindo que fiscais, indústrias e até consumidores avaliem o teor nutricional de sucos e alimentos direto no copo ou na linha de produção.

Fonte: Assessoria de Comunicação