Portal da cidade São Carlos

PAPO DE ESPECIALISTA

Meu siso nunca doeu. Mesmo assim eu preciso tirar

Dr. Felipe Passador explica quando a remoção do dente do siso é indicada e por que a ausência de dor não significa, necessariamente, que está tudo bem

Publicado em 07/09/2026 às 18:45

Dr. Felipe Passador Cirurgião-Dentista (Foto: Divulgação)

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre pacientes que chegam ao consultório para uma avaliação cirúrgica. Segundo o cirurgião-dentista Dr. Felipe Passador, que atua com foco em Implantodontia e Cirurgia Oral, nem todo dente do siso precisa ser removido, mas a decisão não deve ser tomada apenas com base na presença ou ausência de dor.

Os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, geralmente são os últimos dentes a nascer. Em muitas pessoas, entretanto, não existe espaço suficiente para que eles erupcionem de maneira adequada.

“Existem pacientes que convivem normalmente com os sisos durante toda a vida. Em outros casos, o dente pode permanecer incluso, parcialmente erupcionado ou em uma posição que favoreça problemas futuros. Por isso, cada situação precisa ser avaliada individualmente”, explica Dr. Felipe.

O siso pode causar problemas mesmo sem sintomas?

Sim.

Um dos principais pontos destacados pelo especialista é que a ausência de dor não significa necessariamente ausência de alteração.

Um siso incluso ou parcialmente erupcionado pode permanecer sem sintomas durante bastante tempo. Dependendo de sua posição, entretanto, pode dificultar a higienização e favorecer inflamações, infecções, cáries e problemas no dente vizinho.

“Às vezes o paciente só procura atendimento quando começa a sentir dor, mas em uma avaliação com exame de imagem conseguimos identificar situações que merecem acompanhamento ou intervenção antes que o quadro evolua”, afirma.

Quando a remoção pode ser indicada?

Entre as situações que podem levar à indicação da extração estão episódios recorrentes de inflamação, dificuldade de higienização, cárie, comprometimento do dente ao lado e algumas alterações relacionadas ao dente incluso.

Também é comum o paciente procurar avaliação ao descobrir que possui um siso deitado.

Nesses casos, além da posição do dente, o profissional avalia sua relação com os dentes vizinhos, com o osso e, principalmente nos sisos inferiores, com estruturas anatômicas importantes.

Por isso, uma radiografia panorâmica costuma fazer parte do planejamento e, em determinados casos, pode ser necessária uma tomografia computadorizada.

Todo siso deitado precisa ser removido?

Não necessariamente.

Dr. Felipe ressalta que não existe uma regra única que determine a retirada de todos os dentes inclusos.

“A decisão depende de vários fatores. Avaliamos a posição do dente, a idade do paciente, a presença ou não de alterações, o risco de mantê-lo e também os riscos envolvidos na própria cirurgia.”

Em alguns pacientes, a melhor conduta pode ser a remoção. Em outros, o acompanhamento periódico pode ser mais adequado.

A cirurgia de siso é sempre complicada?

Também não.

Existem extrações relativamente simples e outras que exigem maior planejamento cirúrgico.

A complexidade pode variar conforme a posição do dente, profundidade dentro do osso, formato das raízes e proximidade com estruturas anatômicas.

Segundo o especialista, essa avaliação prévia é justamente o que permite planejar o procedimento com maior segurança e previsibilidade.

E a recuperação?

Durante a cirurgia é realizada anestesia local, evitando que o paciente sinta dor durante o procedimento.

Já no pós-operatório pode ocorrer inchaço, sensibilidade e desconforto nos primeiros dias, variando de acordo com cada cirurgia e cada paciente.

Seguir corretamente as orientações fornecidas pelo profissional também faz parte do tratamento e contribui para uma recuperação mais tranquila.

Avaliar antes de sentir dor

Para Dr. Felipe, o principal recado é que o paciente não precisa esperar o siso começar a incomodar para procurar uma avaliação.

“Não significa que todo mundo precise retirar o siso. O mais importante é saber como esse dente está posicionado e se existe algum risco em mantê-lo. Com diagnóstico e planejamento conseguimos escolher a melhor conduta para cada paciente.”

Dr. Felipe Passador


Fonte: Portal da cidade São Carlos