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CIÊNCIA

Angelica Camargo dos Santos leva prêmio da SBTE com pesquisa da UFSCar

Estudo da doutoranda investiga como alterações nas mitocôndrias do oócito podem afetar a saúde metabólica da geração seguinte

Publicado em 24/09/2026 às 21:06

Entrega do prêmio à pesquisadora da UFSCar durante a reunião da SBTE 2026 (Foto: Comunicação/UFSCar)

A doutoranda Angelica Camargo dos Santos, do Programa de Pós-Graduação em Genética Evolutiva e Biologia Molecular da Universidade Federal de São Carlos, conquistou o segundo lugar na categoria de Melhor Trabalho na Área Básica durante a XXXIX Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, realizada neste ano em Mogi das Cruzes. A pesquisa premiada é desenvolvida no Laboratório de Genética e Biotecnologia da instituição, sob orientação do professor Marcos Roberto Chiaratti, do Departamento de Genética e Evolução.

O trabalho parte de uma pergunta sobre herança materna. Os oócitos são as células reprodutivas femininas que dão origem ao óvulo e fornecem praticamente todo o conteúdo celular necessário para o início do desenvolvimento do embrião. Dentro deles estão as mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia. Como explica a pesquisadora, as mitocôndrias do embrião vêm essencialmente do oócito e chegam aos filhos pela via materna, o que faz do estudo dessas estruturas um caminho para entender como alterações na mãe alcançam a geração seguinte.

O ponto de partida tem relação direta com um problema de saúde pública. Doenças cardiometabólicas, como obesidade e diabetes tipo 2, atingem boa parte da população, e já há evidências de que a obesidade materna está ligada a alterações metabólicas nos filhos. O que ainda falta compreender, segundo Angelica, é como essa influência acontece.

Para investigar isso, a pesquisa trabalha com a Mitofusina 2, proteína conhecida pela sigla MFN2, que permite às mitocôndrias se unirem entre si e formarem pontos de contato com outras estruturas da célula. Em camundongas, o gene da MFN2 foi desligado dentro dos oócitos, procedimento chamado de nocaute, e os animais receberam dietas diferentes.

As fêmeas foram separadas em quatro grupos, combinando a presença ou ausência do nocaute com ração normal ou rica em gordura. Depois do período de dieta, houve acasalamento com machos sem alteração genética, e a análise recaiu sobre os filhotes dessa geração, chamada de F1. Todos tinham a mesma constituição genética e passaram a receber dieta normal após o desmame, independentemente do que a mãe havia comido.

O fígado foi o órgão escolhido para a análise, por ser central no metabolismo e ter atividade intensa. Os resultados mostraram diferenças na expressão de genes hepáticos associadas à condição materna. Foram 482 genes alterados nos filhotes de mães com nocaute de MFN2 e ração normal, e quase 900 naqueles cujas mães tinham o nocaute e receberam ração gordurosa, sempre em comparação com os filhotes do grupo controle.

Para a pesquisadora, a combinação entre a dieta materna rica em gordura e a deficiência da proteína no oócito é um dos aspectos mais interessantes do trabalho, porque permite observar influências que passam não pela sequência do DNA, mas pelo ambiente celular.

Desenvolvido desde 2020 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o projeto segue em andamento e agora acompanha as gerações F2 e F3, para verificar se essas alterações se mantêm ao longo do tempo. Sobre o prêmio, Angelica avalia que o reconhecimento reforça a importância da ciência básica, já que entender os mecanismos por trás dos processos biológicos vem antes de qualquer aplicação prática.

Fonte: PC com informações da UFSCar

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