PESQUISA PROCON
Pesquisa do Procon aponta que 79% dos consumidores desconhecem teto no preço de remédios
Levantamento revela que custo pesa no bolso e faz 88% desistirem de compras; maioria fornece CPF para descontos sem saber o destino dos dados
Publicado em 29/06/2026 às 22:05
Um levantamento inédito realizado pelo Procon-SP com 1.819 consumidores acendeu um alerta sobre a falta de informação no mercado farmacêutico: 79,1% dos entrevistados que compram medicamentos desconhecem que a maioria dos remédios possui um teto máximo de preço regulamentado. Esse limite é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Anvisa por meio do Preço Máximo ao Consumidor (PMC).
O desconhecimento sobre as travas de preço ocorre em um momento em que os medicamentos impactam fortemente o orçamento das famílias. A pesquisa, aplicada entre maio e junho, revelou estratégias duras adotadas pela população para lidar com a alta dos custos: 88,1% dos participantes afirmaram que já deixaram de comprar algum medicamento devido ao valor e 94,9% disseram que realizam pesquisas de preço antes de ir ao caixa.
Troca por genéricos e novos canais de compra
O peso financeiro gerou uma mudança expressiva no comportamento de compra e na fidelidade do consumidor ferreirense e paulista. Quando recebem uma prescrição médica, metade dos consumidores (50,2%) afirma que troca o remédio de marca indicado por um genérico ou por outra opção mais barata na farmácia. Apenas 31,7% compram exatamente o produto que foi carimbado pelo médico.
O estudo do Procon-SP também identificou que a preferência exclusiva por fazer compras em grandes redes físicas encolheu, caindo de 51,9% para 43,1% no intervalo de um ano, abrindo espaço para farmácias de bairro e canais digitais (aplicativos e e-commerce).
Alerta sobre a LGPD: A "moeda" do CPF no balcão
Outro dado considerado crítico pelo órgão de defesa do consumidor diz respeito à privacidade de dados. Para obter descontos imediatos no balcão, 71,2% dos cidadãos fornecem o número do CPF sempre que solicitado pelas farmácias. No entanto, o nível de consciência sobre o destino dessa informação é baixíssimo:
54,2% afirmam que não sabem como os seus dados são tratados internamente;
35,2% confessam ter dúvidas sobre o fluxo dessas informações.
O Procon-SP ressaltou que as farmácias e drogarias precisam aprimorar com urgência a transparência, adequando-se à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As empresas devem detalhar se os dados são compartilhados ou vendidos para laboratórios, convênios médicos e redes hospitalares.
Direito do Consumidor: O Procon-SP reforça que o acesso à informação é um direito básico previsto em lei. O cidadão tem o direito de questionar e pedir esclarecimentos detalhados por escrito sempre que seu CPF ou qualquer dado pessoal for solicitado para a concessão de descontos em farmácias.
Fonte: Agencia SP
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