PARCERIA UFSCAR
Parceria entre UFSCar e Tecumseh busca produção nacional inédita de ímãs de terras raras
Projeto vinculado à Embrapii visa desenvolver tecnologia local de neodímio para compressores, reduzindo a dependência externa do Brasil
Publicado em 14/06/2026 às 21:50
São Carlos, consolidada como a "Capital da Tecnologia", está no centro de uma das disputas geopolíticas e econômicas mais estratégicas do planeta: o desenvolvimento de tecnologias baseadas em terras raras. Uma parceria pioneira entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a multinacional Tecumseh — intermediada pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) — quer mudar o papel do Brasil nesse mercado, avançando na produção nacional e no aprimoramento de ímãs de neodímio.
As terras raras são minerais essenciais para a fabricação de motores de carros elétricos, turbinas eólicas e eletroeletrônicos de última geração. Embora o Brasil seja detentor da segunda maior reserva mundial desses elementos, o País historicamente atua como mero exportador da matéria-prima bruta. O projeto desenvolvido em São Carlos foca justamente na contramão desse cenário, investindo em Ciência e Tecnologia para verticalizar a produção nacional.
Inovação na maior indústria de São Carlos
A Tecumseh é a maior produtora de compressores rotativos do tipo “inverter” no hemisfério ocidental. Suas duas plantas industriais em São Carlos formam, juntas, a maior indústria instalada no município, empregando diretamente cerca de dois mil funcionários.
O projeto bilíngue e interinstitucional é coordenado pelo professor Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, do Departamento de Física (DF) da UFSCar, e está vinculado à Unidade Embrapii-UFSCar Materiais. O foco é otimizar as propriedades magnéticas e estruturais dos compressores da empresa através do neodímio (um dos 17 elementos das terras raras).
Os principais desafios científicos do projeto incluem:
Eficiência Energética: Aumentar o rendimento dos motores dos compressores;
Miniaturização: Ampliar o campo magnético para possibilitar a redução do tamanho e do peso dos equipamentos;
Resistência Térmica: Elevar o limite de temperatura a partir do qual os ímãs perdem as propriedades magnéticas (desmagnetização), expandindo a janela de aplicações do produto.
Olho no futuro e formação de ponta
“Ficamos felizes em compartilhar com a Universidade uma necessidade de mercado. Conciliamos assim P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] avançado com uma aplicação em produto futura”, destaca Homero Cremm Busnelli, Diretor de Relações Institucionais da Tecumseh.
Ernesto Chaves Pereira, Diretor da Unidade Embrapii-UFSCar, também celebra o acordo. “É uma iniciativa pioneira na Tecumseh de desenvolvimento de uma tecnologia fora da empresa. Sem dúvida atesta o cenário único que temos em São Carlos, com suas universidades e o modelo da Embrapii”, afirma.
A previsão é que as pesquisas sigam até o final de 2027. Após essa data, o plano é iniciar uma segunda fase diretamente na fábrica da Tecumseh, com uma produção piloto dos novos ímãs em pequena escala para avaliar a viabilidade de manufatura industrial. Além do ganho tecnológico, o projeto envolve pesquisadores de pós-doutorado e estudantes de graduação, impulsionando a formação de mão de obra altamente qualificada na cidade.
Fonte: Assessoria de Comunicação
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