Portal da cidade São Carlos

ROBÓTICA

Pesquisador de São Carlos ajuda Brasil a vencer torneio de robôs na China

Pedro Arthur Galvão Pizarro integra projeto de extensão da USP e esteve na equipe campeã do RCAP Beijing Masters 2026

Publicado em 02/10/2026 às 11:09

Além do integrante da USP, a equipe reuniu estudantes da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Federal de Pernambuco,da Universidade do Estado da Bahia e do Centro Universitário FEI (Foto: Acervo pessoal/Jornal da USP)

Um título mundial conquistado em Pequim tem sotaque são-carlense. Pedro Arthur Galvão Pizarro, mestre pela Escola de Engenharia de São Carlos e integrante do projeto de extensão Warthog Robotics, fez parte da seleção brasileira campeã do RCAP Beijing Masters 2026, torneio de futebol disputado por robôs humanoides.

O projeto reúne o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação e a própria Escola de Engenharia, ambos em São Carlos e vinculados ao Centro de Robótica da USP. A disputa aconteceu entre os dias 22 e 26 de agosto e integrou a agenda internacional da World Humanoid Robot Games, evento em que máquinas humanoides também competiram em provas de corrida, de saltos e de esportes de raquete.

Cada partida colocava frente a frente equipes de cinco robôs de aproximadamente 1,4 metro, em dois tempos de 15 minutos. O torneio foi montado em prazo curto, e nem todos os grupos reuniram máquinas suficientes para formar um time completo. Por isso, algumas parcerias foram costuradas, e o Brasil acabou se juntando ao Bart Lab, da Tailândia, com robôs cedidos por uma empresa sediada no país anfitrião.

O caminho até o título passou pela vitória sobre a Robotedge, da Malásia, nas quartas de final, e pela superação da equipe formada pela Pumas, do México, e pela KURA, dos Emirados Árabes Unidos, na semifinal. Na decisão, o adversário foi a italiana SPQR, que havia batido os brasileiros em dois amistosos preparatórios.

Esses jogos anteriores acabaram servindo de laboratório. Segundo Pedro, eles permitiram ajustar a estratégia e montar táticas específicas contra os italianos. O Brasil abriu o placar, levou o empate e, como a SPQR ficaria com o título em caso de igualdade pelo saldo de gols, precisava vencer. Quase no fim da partida, o goleiro brasileiro marcou o segundo gol e garantiu o 2 a 1.

A ida à China começou bem antes, em conversas entre pesquisadores chineses da área e a RoboCup Federation, entidade que organiza os campeonatos mundiais dessa modalidade. Alguns conselheiros da entidade receberam a incumbência de apontar times de vários países, entre eles o brasileiro Flávio Tonidandel. Foi assim que o Brasil montou uma seleção reunindo nomes de diferentes grupos que competem no circuito nacional da RoboCup.

Pedro foi escolhido pela trajetória no Warthog Robotics e pela participação da equipe em competições internacionais. O desafio em Pequim, porém, exigiu adaptação. Na Small Size League, onde o grupo acumula experiência, as máquinas se movem sobre rodas e são guiadas por imagens captadas de cima, com visão de toda a área de jogo. Já entre os humanoides, cada robô depende da própria câmera para interpretar o que está em volta, algo mais próximo do funcionamento do olhar humano.

A experiência também o colocou em uma função diferente da habitual. Ele conta que atuava mais na construção do hardware e, dessa vez, pôde se envolver em uma área em que tinha menos conhecimento, o que rendeu bastante desenvolvimento pessoal.

Estar em Pequim ainda permitiu observar de perto um dos principais polos de robótica humanoide do mundo. Segundo o pesquisador, havia robôs sendo desenvolvidos para aplicações muito além do futebol, como máquinas capazes de saltar dois metros e meio de altura e outras preparadas para lutar boxe.

A conquista reúne o esforço de integrantes atuais e antigos do Warthog, além de professores, técnicos e parceiros. Ex-membros também ajudaram na renovação dos equipamentos, somada a recursos obtidos por editais e patrocínios.

Para a coordenadora da atividade de extensão, professora Roseli Romero, do ICMC, resultados internacionais pesam na formação dos alunos. Na avaliação dela, quem participa de projetos assim termina a graduação preparado para atuar em qualquer segmento da tecnologia.

Antes de Pequim, o melhor resultado do grupo havia sido o vice-campeonato da Small Size League na RoboCup, na Coreia do Sul. O próximo compromisso é a Competição Brasileira de Robótica, em João Pessoa, entre 23 e 29 de novembro, quando a equipe disputa a Small Size League e a categoria de humanoides, além de apresentar projetos de robótica de serviço. O grupo também busca novas parcerias para ampliar o desenvolvimento de robôs humanoides.

Fonte: PC com informações de João Christensen, da Assessoria de Comunicação do ICMC no Jornal da USP

Envie sua notícia