Portal da cidade São Carlos

ALERTA DE SAÚDE

Falta de vacinação impulsiona alta de coqueluche na região

Doença registrou salto alarmante de casos; pediatra do HC de Ribeirão Preto alerta que baixa cobertura vacinal desde a pandemia fragiliza bebês

Publicado em 06/06/2026 às 23:00

Vacinar adultos preserva o círculo de proteção imunológica dos bebês (Foto: Divulgação)

A não imunização de adultos e de pais de bebês recém-nascidos tem sido apontada por especialistas como um dos fatores determinantes para o cenário preocupante da coqueluche na América Latina, com reflexos diretos no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrou quase 7,8 mil casos confirmados da doença em 2024 — um salto expressivo de mais de 7,5 mil ocorrências em comparação com o ano de 2023, período em que já havia sido identificado um surto da enfermidade.

Segundo as autoridades em saúde, o principal vetor para esse aumento expressivo é a falta de vacinação de pais, familiares ou adultos que convivem diretamente com bebês de até 6 meses de idade, que ainda não completaram o ciclo vacinal básico.

Fragilidade dos recém-nascidos

A médica pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, explica que a coqueluche se propaga com muito mais facilidade em crianças pequenas devido à natural fragilidade do sistema imunológico nessa fase da vida.

“Quanto menor a criança, mais dificuldades ela tem para reagir positivamente à doença, seja pela falta de imunidade prévia, mas principalmente pelas condições anatômicas e fisiológicas do trato respiratório”, adverte a especialista.

O impacto da baixa cobertura vacinal

Para a médica, a resistência ou o esquecimento em relação às vacinas continua sendo o maior obstáculo enfrentado pelo sistema público de saúde. “Nos últimos dois anos, houve um recrudescimento da coqueluche, e essa alta está relacionada à baixa cobertura vacinal desde a pandemia da Covid-19”, aponta Jorgete.

A coqueluche possui uma característica sazonal, apresentando surtos cíclicos a cada 3 ou 5 anos. A pediatra salienta que o cenário atual poderia ter sido evitado. “O cuidado preventivo, como a imunização das pessoas que convivem muito próximas aos bebês, ainda é um dos maiores alicerces. Se houvesse uma boa adesão à vacina entre 2021 e 2022, não teríamos um surto no final de 2023”, relembra.

A orientação para os moradores de São Carlos e municípios vizinhos é procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para verificar a atualização da caderneta de vacinação, especialmente as gestantes e os adultos que lidam diretamente com recém-nascidos.

Fonte: Portal da cidade São Carlos