Portal da cidade São Carlos

ARARAQUARA

Araraquara fica sem verba do Fundeb por não cumprir metas de equidade e aprendizagem

Relatório do MEC aponta VAAR zerado para o município em 2026; estimativa aponta que cidade deixa de arrecadar cerca de R$ 15,7 milhões extras

Publicado em 27/06/2026 às 23:00

A não habilitação representa uma perda potencial estimada de R$ 15,75 milhões para a educação municipal em 2026 (Foto: Internet)

Um relatório educacional emitido pelo Ministério da Educação (MEC) aponta que o município de Araraquara terá R$ 0,00 de repasse da complementação VAAR (Valor Aluno Ano Resultado) do Fundeb em 2026. Embora a cidade tenha uma previsão expressiva de receber R$ 157,5 milhões do Fundeb regular este ano, o descumprimento de indicadores federais barrou o bônus financeiro.

Considerando uma estimativa baseada nas regras de distribuição do fundo — onde o bônus do VAAR costuma equivaler a cerca de 10% do montante anual —, a não habilitação representa uma perda potencial estimada de R$ 15,75 milhões para a educação municipal em 2026. O cenário repete o ano de 2025, quando a cidade também teve o indicador zerado no relatório federal.

O que é o VAAR e por que a cidade foi barrada?

O VAAR é uma modalidade de complementação da União ao Fundeb que funciona como um prêmio por desempenho. Para acessar o recurso, os municípios precisam cumprir condicionalidades de gestão e, principalmente, apresentar melhorias nos resultados de ensino.

De acordo com o relatório do MEC, Araraquara cumpriu critérios burocráticos e de gestão, como o processo técnico para escolha de diretores, participação mínima no Saeb e alinhamento à BNCC. Porém, o município falhou em duas exigências cruciais de desempenho: Redução das desigualdades: O sistema federal avalia se a distância de aprendizado entre diferentes grupos de alunos diminuiu; e Avanço no indicador de aprendizagem: Os dados gerais de evolução da qualidade do ensino ficaram abaixo das metas exigidas.

O impacto financeiro na Educação

A ausência desse dinheiro extra retira da Secretaria Municipal de Educação um orçamento que poderia ser injetado diretamente na melhoria das escolas. Os R$ 15,7 milhões estimados seriam suficientes para custear programas de reforço escolar no contraturno, compra de tecnologias educacionais, formação continuada de professores, busca ativa de alunos evadidos e apoio pedagógico em escolas localizadas em áreas de maior vulnerabilidade social

O caso de Araraquara evidencia que o financiamento da educação pública está cada vez mais atrelado a metas de eficiência e equidade. Para voltar a disputar e reaver a complementação do VAAR nos próximos ciclos do Ministério da Educação, a gestão municipal precisará estruturar políticas públicas que comprovem uma evolução real e mensurável no desempenho dos estudantes locais, corrigindo as distorções apontadas pelo governo federal.

Fonte: Portal da cidade São Carlos